"Mas a vida seguia seu curso. O burburinho na estação não era nada, senão pedidos de socorro sufocados. Ela chorava. Inconsolável. Minha alma era inundava pelas lágrimas salgadas do impossível. Meu impossível. Chorava de tristeza e decepção. Atravessaria o atlântico por ela, mas uma simples passarela parecia obstáculo incalculável para a minha bravura. Ela chorava, eu calava, nós sofríamos. Eu havia esperado uma vida por ela, mas ela havia esperado uma vida por outro. Eu a sentia tão perto, enquanto ela aumentava a nossa distância a cada soluço. Pressentia sua partida. Seu trem logo chegaria e eu não mais a veria, tão cedo. Uma noite para mim era um infinito de tempo, e um infinito de tempo não parecia querer acabar. Eu tinha medo de perdê-la de vista, perdê-la para sempre, porque o para sempre doí demais. E quando doí demais, é nela que eu penso."